Quando estourou a crise do megarrecall da Toyota, as asiáticas Honda, Nissan e Hyundai disseram ao Wall Street Journal que não tripudiariam sobre as agruras da rival. Um (inesperado?) gesto de civilidade numa das indústrias de concorrência mais feroz do mundo. Ou então, simplesmente, o reconhecimento de que uma catástrofe como a que se abateu sobre a Toyota pode vitimar qualquer outra montadora. Audi e Ford são exemplos de marcas que já passaram por graves crises do gênero.
Neste último domingo, a Hyundai do Brasil comemorou, num de seus habituais superanúncios nos jornalões paulistas, a conquista do 7º lugar em vendas de veículos (automóveis e comerciais leves) no Brasil, segundo dados da Fenabrave. De fato, tal posição foi atingida pela filial da coreana em janeiro. Mais um passo na jornada "em direção à liderança" -- uma formulação semanticamente interessante, porque é possível avançar em direção à liderança sem jamais chegar lá.
O enunciado da publicidade diz o seguinte: "A Hyundai já é a 7ª maior montadora do Brasil, ultrapassando até a Toyota" (grifo nosso).
Por que a rival japonesa foi citada? Ou melhor, por que apenas ela? Com o atual 7º lugar no ranking, a Hyundai deixou para trás também a Peugeot, que, no acumulado de vendas de 2009, ficou à frente dela, em 8º lugar (a Hyundai foi a 9ª colocada). Enfim: o megarrecall que machucou a montadora japonesa -- talvez a companhia automotiva que mais preza a confiabilidade como trunfo de vendas -- não atingiu seus carros vendidos no Brasil. Mas a nossa Hyundai não perdeu a chance de soprar as brasas dessa fogueira.
A durona Em tempo: reportagem de capa da revista Fortune de janeiro sobre a Hyundai, ainda encontrável em bancas especializadas por cerca de R$ 30, traz o enunciado "The toughest car company of them all", o que significa algo como "A montadora mais durona de todas". O subtítulo: "A Hyundai é para valer. A competição a odeia. Os consumidores a amam". Uma caricatura do sedã de alto luxo Equus com presas afiadas em vez de grade frontal ilustra a manchete. A íntegra, em inglês, está aqui -- repare que a Toyota é sempre descrita como um dos grandes alvos da Hyundai.
O texto da Fortune não deixa de lembrar que o atual presidente da montadora coreana, Mong-Koo Chung, foi condenado num escândalo de desvio de dinheiro da própria Hyundai para uma "caixinha" política (no original: "embezzling some US$ 100 million from Hyundai and its subsidiaries for a political slush fund"). Um acordo jurídico o livrou de três anos na cadeia, mas ele teve de prestar serviços comunitários, entre eles, cuidar de crianças numa creche. É o que mostra o vídeo abaixo, da BandNews, de junho de 2008:
Atualização: nesta segunda-feira uma corte da Coreia do Sul determinou que o presidente Mong-Koo Chung restitua cerca de US$ 60 milhões à Hyundai, como compensação por "decisões erradas" nos negócios da empresa. A informação foi veiculada pela agência France Presse. A decisão da Justiça --que guarda relação com a sentença mencionada acima -- atendeu a ações movidas contra Chung e um vice-presidente da Hyundai por 14 sócios minoritários da companhia, além de uma ONG sulcoreana.
Os fãs da velocidade que disponham de um "dinheirinho" extra -- mais ou menos R$ 4.000 -- podem ter seu dia de piloto de verdade, e em plena pista de Interlagos. É o que oferecem algumas escolas de pilotagem de São Paulo, que ministram seus cursos no autódromo mais importante do Brasil. Depois das aulas e de uma prova teórica (e, claro, mediante o pagamento de salgadas taxas), o neopiloto poderá tirar sua carteirinha na federação de automobilismo (categoria B), habilitando-se a competir em algumas modalidades do calendário automobilístico.
O site parceiro Carsale experimentou o curso da Escola de Pilotagem Manzini -- que possui convênio com a Renault e utiliza modelos Mégane em suas aula -- e o da Alpie. Tocada pela família Piedade (o nome vem de Aldo Piedade, ex-piloto), essa escola oferece curso na categoria Turismo -- a bordo de uma frota de Celta 1.4 em parceria com a Chevrolet -- e é a única do Brasil a ministrar também aulas de Fórmula (monoposto).
A repórter Larissa Florencio, do Carsale, produziu um vídeo sobre os cursos da Manzini e da Alpie, o qual você pode ver logo abaixo. E eu experimentei uma aula de Fórmula, que rendeu as fotos desse post (também andei de Turismo, mas isso foi há muito tempo) e cujo relato faço a seguir.
No vídeo do Carsale, veja como é estar a bordo dos carros
Resumindo minha experiência na Alpie: primeiro, há uma aula teórica, que consiste em assistir a um vídeo explicativo do carro, da pista de Interlagos e das regras gerais do automobilismo -- como, por exemplo, o significado das bandeiras exibidas pelos fiscais de prova.
A segunda etapa do curso já é realizada na pista. Sem muitas delongas, e trajando macacão, luvas e sapatilhas (fornecidos pela escola, mas quem tiver equipamento próprio fará bem em levá-lo), somos convidados a abordar os carrinhos monoposto, dotados de motor 1.6 de 90 cavalos, abastecido com álcool, carburado, herdado da extinta Fórmula Ford -- como explicou Emerson Piedade, piloto profissional e um dos donos da Alpie.
Num primeiro momento, os alunos fazem um circuito num trecho externo da pista de Interlagos, para se familiarizar com o carro e treinar o punta-tacco -- manobra que consiste em sincronizar a frenagem com o acionamento do acelerador, subindo o giro do motor para acolher reduções de marcha sem perda de tempo nas retomadas (como em saídas de curva). Já que ninguém que seja normal faz punta-tacco no trânsito urbano, demora um pouco para pegar o jeito da manobra. O câmbio "roots" do Fórmula, com marchas duras de entrar e em posições inusuais, além do trambulador exposto ao lado do piloto, aumentam uma certa sensação de estranhamento.
Fotos: Divulgação Primeira lição: em circuito, alunos treinam punta-tacco
Em seguida, a ordem é se concentrar para ir à pista
Por uma questão de segurança, as primeiras voltas na pista de Interlagos são feitas com o motor "travado": a equipe mecânica da Alpie limita a entrada de ar no carburador. Emerson prefere não revelar qual a velocidade máxima aproximada do carrinho nessas condições, mas eu chuto que chegue a uns 130 km/h (a bordo, nós só vemos o conta-giros). De qualquer modo, deslizando a poucos centímetros do asfalto, a sensação é de estar correndo bem mais.
Com o motor limitado, minha melhor volta (entre dez) cravou o tempo de 3min01s45. Trata-se de uma marca absolutamente medíocre, admito. Todos os outros alunos obtiveram tempos melhores. Considerando os 4,3 km de extensão de Interlagos, a média de velocidade foi de (ridículos) 82 km/h.
Nessa fase, no entanto, importante mesmo é entender como "negociar" a pista -- um rico treinamento que é favorecido pelo traçado peculiar de Interlagos, de curvas variadas (pedindo alta velocidade ou muita técnica), duas retas, aclives e declives interessantes etc. É a chance de aprender a frear no ponto certo, a "desenhar" a curva na tangente e a retomar a aceleração sem hesitações.
Deu zebra? Sim, ela está ali para isso mesmo...
Como você pôde ver no vídeo do Carsale, as aulas com carros convencionais (seja da Manzini, seja da Alpie) são ministradas com um instrutor a bordo, funcionando como copiloto do aluno. Obviamente, isso é impossível nos carros de Fórmula da Alpie. Neles, o candidato a piloto tem de se concentrar em dobro -- principalmente nas frenagens, empregando o punta-tacco e brigando um pouco com o câmbio "diferente".
Num segundo momento da aula, certamente o mais emocionante, o motor é liberado pelos mecânicos, e o aluno deixa os boxes e volta à pista com seu Fórmula capaz de, no final de uma reta, chegar a 190 km/h. A diferença é sentida imediatamente no pé do piloto, e pede um pouco de cautela.
Que, é claro, eu mesmo não tive: logo na primeira volta com o motor "full", deixei a Reta Oposta numa velocidade exagerada e, ao entrar na Curva do Lago, rodei e fui parar na grama. Não há nada a fazer quando isso acontece: você se transforma em passageiro do carro; só resta esperar que ele pare e torcer para não se machucar nesse processo.
Não me feri, nem nada aconteceu com o carro. Em instantes, uma equipe de socorro surgiu num veículo de apoio (uma ambulância fica de prontidão durante toda a aula), verificou que eu estava bem, e pude voltar à pista imediatamente.
Por alguma razão interior (orgulho ferido?), passei a pilotar de modo bem mais agressivo, tratando o câmbio e os pedais com certa violência (raiva?) e entrando rápido e grudado no chão nos trechos mais emocionantes da pista -- como o Mergulho, seguido da Junção, e a trabalhosa, mas prazerosa, sequência formada pelo S do Senna e o começo da Reta Oposta. Trata-se de um raro prazer para quem gosta de velocidade e de carros.
No S do Senna, um dos pontos mais prazerosos de Interlagos
Pilotei até o sol quase se pôr; a visibilidade já começava a ficar precária quando entrei nos boxes de Interlagos pela última vez. Mais tarde, soube que meus tempos após a rodada foram muito melhores -- minha volta mais rápida cravou razoáveis 2min28s72, em linha ou até abaixo dos demais alunos, e indicando uma velocidade média de 104 km/h. O melhor tempo com um Fórmula, naquele dia, foi de 2min18s99, obtido por um dos instrutores (média de 111 km/h).
Mas é claro que, no final de ambas as retas (dos Boxes e Oposta) e antes da freada no final do Mergulho, eu e meu simpático monoposto nº 6 chegamos a velocidades próximas a 180 km/h. Com o corpo a poucos centímetros do solo, envolto em escassa carenagem, é mais ou menos como estar ao volante de um kart a jato. Por isso, quando deixei Interlagos e fui para casa dirigindo meu carro "normal" pela Marginal Pinheiros, tive a sensação de que o mundo anda devagar demais fora da pista.
Quer tentar? As escolas de pilotagem ministram suas aulas práticas na pista de Interlagos, e por isso têm um calendário rígido. No caso da Alpie, por exemplo, a próxima aula será no dia 2 de fevereiro, mas já está lotada. A seguinte será dia 22. Convém ligar com antecedência e se informar minuciosamente sobre horários e preços; os R$ 4.000 citados lá em cima são uma estimativa de custo que já inclui taxa de diploma e gastos extras. A seguir, duas opções de escolas de qualidade amplamente comprovada:
- Escola de Pilotagem Alpie -- Av. Senador Teotônio Vilela, 373; tel.: 11-5666-3007; e-mail: alpie@alpie.com.br; visite o site.
- Centro Pilotagem Roberto Manzini -- tel.: 11-5667-5353; visite o site.
Há alguns dias circula pela web um vídeo que mostra um Mercedes-Benz SLS AMG (que será vendido no Brasil -- leia aqui) fazendo uma ousada acrobacia: o carro entra a toda num túnel, sobe por uma espécie de rampa colocada na parede à esquerda do piloto, e em seguida simplesmente anda no teto -- como uma lagartixa supersônica -- até voltar ao leito normal da via pela lateral oposta, que também tem uma rampa. Uma intensa movimentação de engenheiros, bombeiros e socorristas confere autenticidade ao filmete.
No final, a surpresa: o piloto do SLS e autor da façanha no túnel é... Michael Schumacher, que este ano volta às pistas de Fórmula 1 pela Mercedes GP. Abaixo, o vídeo:
A autenticidade da manobra tem sido discutida candentemente em fóruns e blogs e sites de todo o mundo. Muita gente duvida liminarmente que seja possível andar com o carro no teto. Outras pessoas, algumas garantindo que têm conhecimentos de física, dizem o oposto: dá para fazer, e nem é tão difícil assim. E há os que se comprazem em procurar falhas no vídeo, as quais confirmariam uma armação. De minha parte, o que chama a atenção e depõe contra o filmete é o aparente grau de exposição ao risco das pessoas que acompanham a manobra dentro do túnel: notem que o SLS desvia à esquerda praticamente em cima daqueles bombeiros vestidos de amarelo...
Mas a questão principal não é essa. Ela é a seguinte: não é o Schumacher quem pilota o 'SLS lagartixa'.
O vídeo que vem logo abaixo circulou na web há duas semanas, sem muito alarde, e já havia levado a uma discussão inicial sobre a factibilidade da manobra no túnel. Na ocasião, porém, a dúvida principal ainda era se se tratava de um produto oficial do marketing da Mercedes, ou de alguma outra coisa.
Obviamente, basta pensar por dois segundos para concluir que, sim, é mesmo um filme da Mercedes -- afinal, quem ousaria dispor de um SLS AMG particular para essa brincadeira? E então você vai notar que o piloto -- bem visível a 1min20s -- não é o Schumi, e sim uma espécie de sósia (ligeiramente envelhecido) do ator Daniel Craig (o atual James Bond). Se a manobra foi realmente realizada com sucesso, o mérito é dele. Confira:
A Mercedes-Benz do Brasil nos confirmou a procedência dos dois filmes e também que o piloto alemão foi enxertado na edição final. Ficou de confirmar a efetiva realização da manobra no túnel, ou então que tipo de truque foi empregado na filmagem. Enquanto isso, assistam novamente ao primeiro vídeo, e reparem na piscadinha marota que o Schumi dá...
Como se pode ver no post anterior, já mostramos ao leitor os detalhes da picape média Amarok, o principal lançamento da Volkswagen em 2010. Mas tratou-se de, digamos, um "contato estático" que os jornalistas Eugênio Brito e Murilo Góes tiveram com o modelo, que tem uma unidade exposta num shopping do litoral paulista. Pois está chegando a hora de guiar a Amarok de verdade, e descobrir se ela tem predicados para encarar rivais fortes como Toyota Hilux, Mitsubishi L200 e Nissan Frontier, além das mais tradicionais (e vendedoras) Chevrolet S10 e Ford Ranger.
O lançamento oficial da Amarok acontece entre os dias 4 e 6 de fevereiro, em Bariloche, na Argentina -- país onde a picape será fabricada, e de onde virá com taxa de importação zero. Naturalmente, UOL Carros estará lá e vai trazer aos internautas a melhor cobertura do evento.
Outra novidade fica por conta do Ford EcoSport, que ganhará retoques para o ano/modelo 2011. Essa reestilização é a última (a anterior foi em 2007) antes da reformulação mais extensa do jipinho, a qual deve acontecer até 2012 -- e cujo objetivo é encarar novos desafiantes num nicho de mercado onde o Eco reinou sozinho por vários anos.
A apresentação do "novo" EcoSport, tratado pela Ford como seu "primeiro grande lançamento" em 2010, será feita entre os dias 2 e 4 de fevereiro, em Maceió (AL). Fique ligado: estaremos lá, e (no mínimo) as fotos prometem ser belas!
Ford Kuga, o jipinho que cumpre na Europa a função que o EcoSport tem no Brasil; como todas as projeções do "novo" EcoSport meramente copiam o Kuga, publicamos o original; quem sabe a gente acerta...
Volkswagen Amarok. O nome esquisito significa "lobo" no dialeto esquimó inuit (quem é ligado em informática e adepto do sistema Linux já sabia disso), mas no Brasil já é sinônimo daquele que deve ser o lançamento mais quente do primeiro trimestre. A montadora alemã sabe do caráter bombástico de sua criação e trata de capitalizar: a picape média só chega oficialmente entre fevereiro e março, mas uma pré-estreia foi feita na Argentina (onde o modelo será produzido, como aponta coluna publicada no Interpress Motor), teasers pipocam na internet (veja um, com roqueiros do Scorpions, no site parceiro Carsale), e um exemplar está exposto no Casa Grande Boulevard Mall, no Guarujá, balneário que atrai a endinheirada elite paulista durante o verão.
UOL Carros desceu a serra para mostrar os detalhes da picape (veja aqui o álbum de fotos exclusivo), que chega para chutar a porta do segmento. O alvo principal é a Toyota Hilux -- porte, robustez e equipamentos estão no mesmo nível da rival japonesa, que também é fabricada na Argentina. Nissan Frontier, Chevrolet S10, Ford Ranger e (em escala menor) Mitsubishi L200 também entram na alça de mira. O preço final ainda é segredo, mas também deve ficar próximo ao da Hilux, orbitando entre R$ 90 mil e R$ 120 mil.
Numa primeira fase, a Amarok estará disponível apenas na carroceria de cabine dupla e na versão de acabamento mais cara (Highline) equipada com motor a diesel 2.0 TDI biturbo de 163 cv e cerca de 40 kgfm (400 Nm). O câmbio é manual de seis marchas. São 5,32 m de picape, com 1,95 m de largura, 1,83 m de altura total (distância mínima do solo de 240 mm) e entre-eixos de 3,09 m. A caçamba tem capacidade de carga, segundo dados de fábrica, de 1,15 tonelada. Os pneus são 225/60 sobre rodas de alumínio aro 18. A tração é integral 4Motion com reduzida acionada por um apertar de botão no console central. A suspensão é do tipo McPherson na dianteira e por feixe de molas na traseira.
No interior, bancos de couro e espaço de sobra para até cinco pessoas agradam, enquanto o uso de plástico rígido e imperfeições de acabamento, como a falta de revestimento dos trilhos dos bancos dianteiros que podem machucar as pernas do ocupante, desagradam. O painel é típico da Volks: dois mostradores circulares analógicos (conta-giros e velocímetro) ladeiam a tela do computador de bordo, que inclui escala digital para temperatura do motor e nível de combustivel. Ao centro, um grande display de LCD com informações de multimídia e o controle do ar digital Climatronic. A segurança fica por conta dos sistemas ABS (com modo off-road), EBD (distribuidor de frenagem), BAS (frenagem de emergência), TCS (controle de tração), EBC (bloqueio eletrônico do diferencial), Hill Holder e duplo airbag.
INSPIRAÇÃO Embora a adoção do atual DNA da Volkswagen fique bem clara na Amarok (a frente é uma versão anabolizada dos novos Golf e Polo europeus, bem como do nosso Fox renovado), elementos como as caixas de roda (muito) destacadas, formato externo da cabine e interior com luxo e conforto de sedã remetem ao modelo da Toyota. A explicação para tamanha afinidade pode vir da joint venture entre Volks e Toyota no início da década de 1990, na Europa, quando a marca alemã vendeu a Hilux com o nome de Volkswagen Taro por lá, permitindo a entrada dos japoneses no mercado europeu e a estreia da Volks no segmento de picapes médias. Durante um bom tempo, o projeto da Amarok foi apelidado de Taro II no velho Continente, antes dos codinomes SAR e Robust.
Quem mora -- e dirige -- na cidade de São Paulo sabe o quanto as tardes chuvosas de dezembro têm sido caóticas: cada avenida tem potencial para se transformar em uma lagoa enlameada, e mesmo os trajetos mais curtos são transmutados em viagens sem fim. A última quarta-feira (16) não foi diferente e, durante três horas, a expectativa de dirigir o Audi TTS, versão topo da gama do esportivo que a marca alemã traz ao Brasil, parecia apenas um sonho distante.
Se mesmo caminhões são impotentes diante dos principais pontos de alagamento, o que dizer de um carro com altura total de 1,35 m, cujo topo das caixas de roda fica a menos de 80 cm do solo? Todos sabemos que a linha de água nem precisa chegar tão alto para causar estragos irreparáveis, mas naquele momento só conseguia pensar no tamanho do prejuízo se o estrago fosse feito em um modelo que custa R$ 283.750 em sua configuração Coupé ou, mais ainda, R$ 299 mil na Roadster conversível, com capota de lona no lugar do teto rígido.
Pois todas as nuvens negras se dissiparam quando observei a fileira de LEDs ficando cada vez mais nítida conforme a carroceria vermelha adornada pela enorme grade cromada do modelo conversível se aproximava de mim. E, sem qualquer figura de linguagem, respirei aliviado ao perceber que a chuva havia dado uma trégua. O teste poderia ser feito, embora já fosse noite.
Fui apresentado ao TTS Roadster, cujas proporções lembram um TT anabolizado: grandes entradas de ar tomam conta do para-choque dianteiro, enquanto a linha de caráter é deslocada para cima pelas volumosas caixas de rodas, que abrigam enormes rodas aro 18 de alumínio. A fluidez das linhas torna quase impossível acreditar na ficha técnica, que aponta para uma largura de 1,84 m.
Olhando por dentro, tudo ficou mais claro: o TTS é como um enorme kart. Mesmo contando com toda a sorte de ajustes elétricos para o banco (desde altura e profundidade até o apoio lombar), o motorista não vai escapar de ficar bem próximo ao chão -- olhando para os lados, percebe-se que a linha de término da porta está quase na altura dos ombros. A posição perfeita de dirigir, no entanto, é facilmente encontrável com as regulagens de altura e profundidade do volante de base chata -- ele traz a inscrição S (que identifica a linha esportiva da Audi, a S-Line) gravada em uma plaqueta de alumínio escovado no raio central -- e sequer consigo reclamar dos três pequenos espelhos retrovisores. No fim, eles acabam sendo suficientes. Não fosse o banco do carona, seria como se estivesse vestindo o Audi. O conversível com capota de tecido tem espaço para dois, apenas; já o cupê traz um banco adicional, mas que dificilmente abrigaria duas crianças. O porta-malas é reduzido, em ambos (250 litros no conversível, 290 no cupê).
O TTS tem toques "clássicos" que ajudam a compor a aura de exclusividade que se espera de modelos tão caros. Externamente, as lanternas não contém LEDs, sendo formadas por dois elementos retangulares mais visíveis, que servem para evocar o TT original (o recurso evoca ainda o superesportivo R8). Por dentro, a ignição é feita colocando-se a haste da chave no receptáculo no lado inferior difeito do volante, exatamente como na maioria dos carros mundo afora, mas bem diferente dos atuais Audi, que se valem de chaves inteligentes; há ainda os botões circulares do comando de ar, que lembram antigos controles analógicos. E como prega a cartilha esportiva, os detalhes são todos em alumínio escovado fosco -- mesmo as borboletas de mudança de marcha atrás do volante e as pedaleiras de acelerador e freio -- e isso faz toda diferença no momento do toque.
Como faz toda a diferença dar a partida e sentir o bólido "ganhar vida": a iluminação branca do painel é chamativa, mas não chega a cansar. O bloco de 1.984 cm³ emite um ronco grave, mas não extenso, e quase me faz pensar tratar-se de um motor em V. Não é, uma vez que esta configuração ficou na Europa. O coração do TTS que vem ao Brasil é o habitual 4-cilindros de 2,0 litros da gama Audi, mas retrabalhado para chegar aos 272 hp de potência (cerca de 276 cavalos), com torque de quase 36 kgfm, como manda a regra do "downsizing" -- obter alto desempenho a partir de um motor menor. Dotado de turbocompressor de 1,2 bar de pressão e sistema de injeção estratificada de combustível, pode empurrar o conversível de zero a 100 km/h em 5,4 s (para o conversível, já que o cupê é mais rápido e leva apenas 5,2 s). A máxima é bloqueada eletronicamente em 250 km/h (e isso não é ruim), mas o instrutor me explica que bem antes disso, aos 120 km/h, o TTS tomará um ar ainda mais invocado com o levantamento automático do aerofólio, que será novamente guardado na carroceria caso a velocidade fique abaixo dos 80 km/h (e que tudo isso pode ser comandado também por meio de um botão). O controle da cavalaria fica a cargo do câmbio automático de dupla embreagem S-tronic, com seis velocidades e modo esportivo, que permite também mudanças manuais, na alavanca (que fatalmente será esquecida) ou por meio das borboletas atrás do volante (que dominarão sua preferência).
TTS NÃO FOI FEITO PARA O TRÁFEGO Colocar o TTS para rodar pelo asfalto molhado de São Paulo foi como entrar em outro mundo. Inicialmente, o medo de ser encharcado deixou meu dedo longe do botão que dobra ou levanta a capota em 12 s. Por outro lado, as características do TTS me fizeram transitar longe de longas filas que se formavam por ruas e avenidas da cidade. Se você está em um carro popular, nem sempre adianta avistar o trânsito engarrafando à sua frente, já que o tempo de reação do veículo (ou sua capacidade de manobra) pode não ser suficiente para escapar. Com o TTS, bastou dar seta, pisar no acelerador e comandar o volante. Para freiar, foi só comandar o sistema de alta performance, com disco de 17 polegadas nas quatro rodas, ventilados na dianteira (e, claro, ABS, EBD, bloqueio eletrônico de diferencial e estabilizador ESP).
Foto: Divulgação Escapes duplos conferem charme esportivo, assim como o aerofólio escamoteável
Com tudo isso é mais a tração quattro, integral e que determina automaticamente a melhor proporção do torque entre as rodas traseiras e dianteiras, o TTS se mantém permanentemente firme e estável, ao mesmo tempo em que sua aceleração é convertida em agilidade da melhor maneira possível, facilitando ao máximo a tarefa de conduzir os 1.475 kg do conversível (1.415 kg no cupê, que traz menos reforço estrutural). Afinal, se toda esta tecnologia foi desenvolvida para tornar mais segura a direção em pistas com neve, circular no asfalto molhado seria fichinha.
Não é fácil, porém, encarar as imperfeições de nossas ruas. O TTS tem suspensão bem rígida, que pode ficar ainda mais dura graças ao sistema Magnetic Ride. A central eletrônica monitora dados como aceleração e aerodinâmica para emitir pulsos eletromagnéticos e atuar sobre microesferas metálicas espalhadas no fluido dos amortecedores. Ordenando estas esferas, o sistema torna o fluido mais denso e a suspensão mais rígida. Além disso, seu curso pode ser rebaixado em até 10 mm. O resultado prático em qualquer via que não seja extremamente lisa é uma sequência de pancadas e solavancos que o levarão a desativar o controle.
Outro medo recorrente é o de não ver ou ser visto, principalmente em uma situação de chuva. Mas com auxílio dos faróis bi-xênon com ajuste de altura automáticos não só a pista à minha frente se tornou plenamente visível, como placas próximas e distantes foram realçadas. O TTS também devia estar muito visível para outros motoristas e para os pedestres, não só por sua cor e forma chamativas, mas também pela ação das duas fileiras horizontais de 12 LEDs na base dos conjuntos ópticos.
Quem pensa que o TTS é extremamente ruidoso, porém, se engana. Com a capota erguida e o carro em movimento ouve-se pouco mais que um sussurro -- percebi isso ao notar que não estava sendo importunado pelo buzinaço que seria habitual em situações de trânsito carregado. Ao finalmente tomar coragem e baixar a capota, ouvi um grito, mas logo atentei que ele não veio do mecanismo e sim de um dos jovens impressionados, parados e boquiabertos, no meio da calçada. Sem teto, ouve-se o vento sibilando e aquele mesmo rugido curto do motor (de quando se dá a partida), se fazendo ecoar por meio das duas saídas duplas de escape.
Para fugir do trânsito, o instrutor me indicou a rota que conduz à Serra da Mantiqueira na direção do município de Mairiporã. Na subida, o TTS se portou como se galopasse tamanha a destreza com a qual encarou os trechos íngremes e sinuosos, sem perder o passo ou o fôlego -- me lembrei de como um carro normal estaria se portando, com o motor "esgoelado" e a tração à beira de se perder, quando dei de cara com dois veículos exatamente nessa condição e os ultrapassei com extrema facilidade.
Sem qualquer tráfego, pude testar o Launch Control (que fica melhor sendo traduzido como controle de arrancada): com o carro parado e o mecanismo acionado, tanto a tração quattro quanto o controle de estabilidade são momentaneamente desativados; a partir daí, é preciso carregar o pedal do freio e pisar no acelerador até os 3.000 giros. Com isso, toda a potência ficará disponível no exato momento em que o freio for liberado, sem qualquer atenuante. Ao soltar o freio, enquanto ainda observava o ponteiro do conta-giros, tive a sensação de que meu banco havia sido arremessado contra o ar e só consegui pensar em controlar o volante da melhor maneira possível. Ao final da experiência, não pude conter o riso, mas logo ficaria triste -- o teste havia chegado ao fim e, agora, só me restaria conduzir o carro de volta ao ponto de partida e entregar a chave. Uma pena não ter R$ 300 mil sobrando no banco...
São 30 opções no álbum-enquete, listadas por ordem alfabética de marca e de modelo, perfilando os mais significativos modelos lançados durante o ano. Cada internauta pode votar uma única vez até as 9h00 do dia 23 de dezembro.
Hatch, sedã, picape, SUV, crossover. Popular, luxuoso, de nicho ou de imagem. Supercompacto ou grandalhão. Bonitinho, feioso, polêmico ou estiloso. Tem modelo para todos os gostos e todo o tipo de bolso.
Lembrando que, embora não tenha qualquer valor científico, a enquete refletirá o desejo do universo de leitores de UOL Carros dispostos a dar sua opinião. Não gostou do resultado de outras eleições? Esta é a sua chance. Quer que seu modelo preferido se dê bem? Fique à vontade para convocar os amigos e parentes a opinar. Dê o seu voto aqui.
Foram anunciados na noite deste domingo (29) os vencedores do 11º Prêmio Imprensa Automotiva, da Abiauto (Associação Brasileira da Imprensa Automotiva), da qual UOL Carros não participa. E o hatch Chevrolet Agile levou mais uma -- foi escolhido por 73 jornalistas como "O Melhor entre os Melhores", na categoria Carros.
A premiação também aponta as melhores motos, e a campeã da noite foi a esportiva Honda CBR 1000 RR com ABS.
A lista completa de vencedores, que você pode acompanhar em álbum de fotos especial, ficou assim:
Carros Nacional (sic) e Melhor entre os Melhores: Chevrolet Agile Popular: Volkswagen Fox Minivan: Honda Fit Utilitário Esportivo: Chevrolet Captiva Importado: Fiat 500 Picape: Fiat Strada
Motos Esportiva e Melhor entre as Melhores: Honda CBR 1000 RR com ABS Custom: Yamaha XVS 950 Midnight Star On/Off Road: Honda XRE 300 com ABS Scooter: Honda Lead 110 Street: Honda CB 600 F Hornet com ABS Turismo: BMW K 1300 GT
Houve ainda menção especial para modelo com menor emissão de poluentes, embora nenhum projeto elétrico tenha sido pré-selecionado. Levaram Volkswagen Polo 1.6 Bluemotion e Honda Titan CG 150 Mix.
E você, o que achou da premiação? Opine nos comentários.
Para o jornalista que cobre o setor automotivo, visitar fábricas é (quase sempre) como ir a um parque de diversões ou a uma feira de ciências. Gostamos de observar a linha de produção, ficamos fascinados com o funcionamento de robôs na montagem de componentes delicados, e nos divertimos ao presenciar testes de resistência aos quais os protótipos são submetidos. Com sorte, também podemos presenciar fatos inesperados.
Foi o que aconteceu na última sexta-feira, durante visita à unidade Anchieta da Volkswagen, em São Bernardo do Campo (SP). O evento fazia parte do lançamento do novo CrossFox, mas quem roubou a cena, para alguns poucos agraciados (incluindo este repórter), foi um Gol. Ou aquilo que pode vir a ser um.
Foto: Eugênio Augusto Brito/UOL Acima, a carroceria de um Gol G5 (novo Gol) ainda em montagem... ...mas com um diferencial em relação à traseira de um Gol comum (abaixo)
Na primeira foto acima, à frente de uma picape Saveiro, você vê a carroceria de um Gol G5 (veja o desenho da tampa do porta-malas e do nicho horizontal para as lanternas) na linha de montagem, ainda inacabado. Agora repare no canto inferior esquerdo da tampa do porta-malas. Lá estão as iniciais GT.
Abaixo, este ponto da primeira imagem está ampliado e destacado, para não deixar dúvidas. Podemos ver, também, o escapamento com ponteira cromada.
Foto: Eugênio Augusto Brito/UOL
A sigla GT, iniciais de Gran Turismo, costuma ser relacionada a carros com equipamento diferenciado e comportamento esportivo e é capaz de fazer sorrir a qualquer apaixonado por carros. No caso específico do Gol, a sigla GT já despertou paixões na década de 1980: em 1984, a Volks lançou a primeira variante do hatch com motor refrigerado a água. Era um 1.8 com comando de válvulas e carburador "envenenados" e bancos Recaro no interior, como descreve o parceiro Best Cars.
Vinte e cinco anos depois (e após fazer um bom uso também das siglas GTS e GTI), a Volks mantém o logo GT na carroceria de dois de seus modelos, o compacto premium Polo e o médio Golf, já avaliados por UOL Carros. Mas em ambos, apesar do motor 2.0 e da boa mecânica, a sigla só implica em visual diferenciado, sem qualquer relação com desempenho excepcional (a Chevrolet também faz uso da sigla, chegando ao mesmo resultado, com o hatch médio Vectra GT-X).
Como nos irmãos maiores, o Gol flagrado traz o emblema GT no local onde normalmente estaria o emblema do nome do modelo, o que pode ser considerado um bom indicativo.
Em maio, este blog mostrou que um serviço de simulação de seguros indicava a cotação do Gol GTI com motor 1.4, versão que não existia e que, ainda hoje, não deu as caras. Novamente, mantendo o que dissemos naquela ocasião, acreditamos que faria todo sentido o lançamento de uma versão, digamos, especial do carro mais vendido do país.
Foto: Divulgação Gol GT 1984: motor que seria usado no Santana e visual "quente"
Mas, novamente, a Volkswagen trata de negar que já exista ou virá a existir um Gol em versão esportivada. Em resposta ao jornalista Fernando Pedroso, repórter do parceiro iCarros e que também viu o carro da foto na linha de montagem, a assessoria da montadora afirmou que "não existe um Gol GT e, se houvesse algum, deveria estar bem escondido". O fato é que ao menos um exemplar parece não ter sido tão bem escondido assim.
P.S.: Sim, a Volks exporta o novo Gol com o mesmo nome para o México (até a geração anterior, recebia o nome Pointer por lá) e o disponibiliza em quatro versões (a partir do equivalente a R$ 16.400) tendo como topo da gama o GT com visual esportivo (cerca de R$ 22.800), como sabiamente apontaram alguns de nosso leitores. Seria esta a explicação mais simples (e a mais lógica) para o carro acima. Mas não foi a explicação recebida da montadora. Seria bom, então, seguir com a esperança de ver esta versão do Gol como um dos 13 lançamentos que a Volkswagen fará por aqui em 2010.
A Volkswagen convidou a imprensa automotiva ontem, quinta-feira (27), para anunciar seus resultados em 2009 e fazer as costumeiras previsões para 2010 e além -- no caso, até 2018, quando a marca alemã pretende superar a Toyota e virar a maior fabricante de carros do mundo. O encontro foi realizado na avenida Mofarrej, Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo.
Eu saí de casa, também zona oeste de São Paulo, às 18h, a bordo de um táxi. A distância dali ao local do evento é de cerca de 9 km, pegando o caminho mais retilíneo. Algo para ser percorrido, a uma velocidade média (e baixa) de uns 20 km/h, em menos de 30 minutos. Mas estava chovendo. E demorei uma hora.
Na volta continuava chovendo. Eu e duas colegas pegamos um táxi às 22h10; mesmo sendo noite e relativamente tarde, o trânsito seguia infernal. Resultado: abri a porta de casa às 23h30. O tempo dentro dos dois táxis foi quase o mesmo tempo que fiquei no evento da Volks.
Até aqui essa história não tem nada de extraordinário. O paulistano (e, claro, os moradores de outras capitais e cidades de grande porte) está cansado de saber do que estou falando. Basta olhar a foto abaixo...
Joel Silva/Folha Imagem - 19.11.09 Não precisava nem dos 33 graus para parecer o inferno...
Mas o interessante é que, ao longo da apresentação dos números da Volks, o seu presidente no Brasil, Thomas Schmall, lembrou um dado que volta e meia aparece nesse tipo de evento: a relação habitante/veículo no país.
Hoje, ela é de sete pessoas para cada veículo. A previsão é que, em cinco anos, passe a ser de quatro pessoas por veículo. Como comparação, sempre é citado que a Alemanha (maior mercado da Volks) tem dois habitantes por veículo, e os Estados Unidos, menos que isso. Ou seja, temos para onde "crescer"...
O Brasil mudou muito nos últimos anos, mas o poder aquisitivo da população ainda continua sendo mais alto em cidades mais ricas, como é o caso de São Paulo e das principais capitais. Ora, a atual frota paulistana é de cerca de 6 milhões de veículos, para uma população de 11 milhões. Aqui, a proporção de dois habitantes por veículo (na verdade, 1,8), como na Alemanha, já é uma realidade. E o resultado disso é o que tivemos ontem: quase 200 km de lentidão, porque choveu; se não tivesse chovido, poderíamos esperar uns (suficientemente insuportáveis) 150 km nos horários de pico.
Bom, se a previsão é a de vender mais carros nos próximos cinco anos, vender-se-ão mais carros em São Paulo também, certo? Agora, imagine a cidade com 75% mais carros! (é esse o salto que se dá ao passar de sete para quatro pessoas por veículo).
Qual é a realidade urbana que as montadoras querem para o Brasil quando perseguem a "meta" de um carro para cada quatro almas? Não sei dizer, mas sei que a consequência mais branda para elas mesmas será ter de atrasar cada vez mais o início de seus eventos e colóquios e jantares com a imprensa automotiva. Ninguém vai conseguir chegar na hora marcada.
Chevrolet do Chile tem Cruze, Camaro e... chapinha
Um dos destaques da semana em UOL Carros é a reportagem da Auto Press sobre o sedã Chevrolet Cruze (clique aqui e veja o álbum de fotos e o texto), feita em colaboração com os mexicanos da AutoCosmos.
O texto traz as impressões sobre o modelo -- um dos integrantes do novo projeto global da GM --, que chega agora ao México, pouco mais de um ano após ser apresentado no Salão de Paris e meses depois de ser mostrado aos americanos e lançado no mercado asiático. Por aqui, pouco (nada?) se fala oficialmente, mas espera-se que o modelo chegue até 2012, possivelmente em substituição ao Vectra.
Vasculhando a rede, é possível descobrir que o Cruze já é realidade também no Chile, conforme mostra o site oficial da Chevrolet (http://www.chevrolet.cl/default.html). Por lá, o sedã com motor 1.8 custa, em pesos chilenos, algo entre R$ 30.700 e R$ 35.600, dependendo da versão.
Mas, saindo um pouco do assunto Cruze, o site da Chevrolet chilena mostra ainda coisas muito interessantes e muito curiosas. Muito interessante é a lista de espera para o esportivo Camaro 2010, que chegará por lá em breve na versão RS, com motor V6 de 313 cv (pelo equivalente a R$ 83.933), e na (estupenda) configuração SS, equipada com um V8 de 6,2 litros capaz de encostar nos 440 cv (começando perto dos R$ 95 mil). Por aqui, o modelo só é encontrado em algumas importadoras independentes, por algumas centenas de milhares de reais.
Restou dizer o que há de curioso, certo? Pois o adjetivo serve para qualificar uma promoção "natalina" para incentivar o público feminino a fazer a revisão nas lojas da rede (como a própria Chevrolet chilena explica). Para isso, duas mil chapinhas (sim, aquele acessório que mulheres usam para ficar com o cabelo liso) serão distribuídas entre as clientes das concessionárias participantes.
Reprodução Chevrolet do Chile tem chapinha, mas também tem Cruze e Camaro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva da Silva chegou à Bahia nesta quinta-feira, onde deve cumprir agenda social e participar da celebração do Dia Nacional da Consciência Negra, na sexta-feira (20). Parte de sua visita ao Estado, porém, deve ter grande repercussão junto à indústria automotiva nacional.
Lula deve visitar a fábrica da Ford, em Camaçari (região metropilitana de Salvador), e participar do anúncio da ampliação do projeto. De acordo com o site Bahia Notícias, o investimento pode chegar aos R$ 2 bilhões e inclui a participação dos governos estadual e federal, por meio de incentivos fiscais.
Foto: Raimundo Pacco/Arquivo Folha Imagem Em imagem de 2007, Lula participa de cerimônia que celebrou 1 milhão de carros fabricados pela Ford em Camaçari (BA)
Embora a informação (visita do presidente à fábrica e anúncio) ainda não tenha sido oficialmente confirmada, sabe-se que a Ford tem novos projetos para os próximos dois anos, incluindo a fabricação no país do Ford Fiesta europeu na carroceria hatch (antes, uma remodelação do atual Fiesta está prevista).
Além disso, a montadora deve apresentar em breve sua nova família de motores flex Sigma, fabricados em Taubaté (SP), que devem equipar, além da nova geração do Fiesta, o hatch médio Focus.
Este post estava planejado e trataria apenas do flagrante feito pelo blogueiro Marlos Ney Vidal, do Autos Segredos, com a reestilização da primeira geração da multivan Fiat Doblò nacional. Mas a Fiat italiana resolveu "furar" a filial e apresentou imagens do que será segunda geração do modelo, o que fará com que a nossa "novidade" já chegue datada (e ao mesmo tempo explica como a renovação da nacional será paga).
Foto: Marlos Ney Vidal/Autos Segredos
A foto acima mostra a versão Adventure do nosso Doblò 2010, que será apresentada nos dias 18 e 19 de novembro, na cidade de Maceió (AL), com cobertura completa de UOL Carros. Na imagem abaixo, um close destaca detalhes da nova frente aventureira do multiproposta da Fiat, com direito a grade cromada, faróis escurecidos (máscara negra) e para-choques, caixas de rodas e estribos formando uma única peça com muito plástico e alguma noção de robustez -- receita utilizada com sucesso pela montadora em sua linha.
Foto: Marlos Ney Vidal/Autos Segredos
Há ainda uma terceira imagem, que mostra a traseira da versão Adventure. Segundo Vidal, as únicas mudanças ali serão o desenho das lanternas e a inclusão de uma capa para o estepe, como o que protege o conjunto da minivan Idea Adventure.
Foto: Marlos Ney Vidal/Autos Segredos
Uma quarta imagem (abaixo) mostra como é a frente da versão "civil" ELX, sem o excesso de plástico, mas igualmente com linhas que poderiam colocar o modelo nacional em compasso com o similar europeu.
Foto: Marlos Ney Vidal/Autos Segredos
Poderiam, mas não irão. Os parceiros iCarros e Best Cars mostram imagens do novo Doblò europeia, divulgadas pela Fiat italiana. Uma delas é esta abaixo:
Mais esportiva, traz faróis arredondados, grade em forma de trapézio e linhas ascendentes. E aposentará, lá, a versão que será lançada por aqui.
A explicação de alguns especialistas é que o maquinário que produzia a agora antiga geração do Doblò europeu, sem serventia por lá, servirá para fazer o novo Doblò brasileiro. Até faz sentido, já que a ordem mundial para as montadoras é manter a produção, mas reduzir os custos.
Gostou do Doblò nacional? Prefere o europeu? Deixe sua opinião no campo para comentários.
Se os números de vendas de motos são ruins, e mostram um setor em queda, promoções podem vir a calhar e estimular o consumidor. Assim, a Yamaha anuncia redução de preços em três modelos de sua linha 2009.
Foto: Gustavo Epifanio/Infomoto Incentivo: Yamaha oferece desconto para famíia Fazer
A oferta é para a família Fazer e começa com a street YS 250 ano/modelo 2009/2010, que passa a custar R$ 10.574 para exemplares prata, preto e vermelho (o preço original sugerido pela fábrica é de R$ 10.950).
E para modelos maiores, descontos proporcionais: a naked FZ6-N 2009/2009, quatro-cilindros de 98 cv que custava R$ 32.200, pode ser encontrada por R$ 29.977 (prata e preto). Por fim, a versão com carenagem FZ6-S, também ano/modelo 2009, teve seu preço derrubado de R$ 34 mil para R$ 31.777 (cor azul).
A personalização de carros por grifes, estilistas e fashionistas não é coisa nova e, há algum tempo, se tornou mais uma opção de fabricantes (sobretudo europeus) para oferecer produtos ainda mais exclusivos a um público (que se acredita) diferenciado e pode pagar mais por isso. O lado exclusivo desta nota é que a moda agora pegou aqui no Brasil, utiliza o pequenino e charmoso smart fortwo e chega costurada a um viés politicamente correto.
Foto: Divulgação Reprodução de uma dos smart personalizados por grifes
O clube de vendas online BrandsClub (escrito assim mesmo, com as duas palavras unidas), o IBCC (Instituto Brasileiro do Controle do Câncer), a loja Smart Jardins e dez grifes farão, nesta quarta-feira (4), às 19h, o evento B (Loves) C. No total, onze exemplares do smart serão customizados, um deles no momento da festa, e colocados à venda.
Participam da iniciativa as grifes 284, Carina Duek (foto), Guerreiro, Jo de Mer, Lilly Sarti, Talie NK, Reserva, Thelure, Ventura e Zapalla. E 2% do total arrecadado com a venda dos carrinhos será repassado à campanha Câncer de Mama no Alvo da Moda, do IBCC. O valor de cada exemplar personalizado não foi divulgado, mas o preço inicial do smart coupé é de R$ 57.900.
O endereço eletrônico sac@brandsclub.com.br serve para obter mais informações sobre o evento. Já para saber mais sobre o smart coupé, ver a avaliação do conversível smart cabrio e ficar por dentro de tudo sobre automóveis, acesse UOL Carros.
Blog produzido pela equipe de UOL Carros com informações, análises, curiosidades e bastidores do mundo automotivo. E, se possível e cabível, com pitadas de bom humor...