UOL Carros
 

08/02/2010

Derrapagem

Hyundai mira Toyota em novo anúncio

Quando estourou a crise do megarrecall da Toyota, as asiáticas Honda, Nissan e Hyundai disseram ao Wall Street Journal que não tripudiariam sobre as agruras da rival. Um (inesperado?) gesto de civilidade numa das indústrias de concorrência mais feroz do mundo. Ou então, simplesmente, o reconhecimento de que uma catástrofe como a que se abateu sobre a Toyota pode vitimar qualquer outra montadora. Audi e Ford são exemplos de marcas que já passaram por graves crises do gênero.

Neste último domingo, a Hyundai do Brasil comemorou, num de seus habituais superanúncios nos jornalões paulistas, a conquista do 7º lugar em vendas de veículos (automóveis e comerciais leves) no Brasil, segundo dados da Fenabrave. De fato, tal posição foi atingida pela filial da coreana em janeiro. Mais um passo na jornada "em direção à liderança" -- uma formulação semanticamente interessante, porque é possível avançar em direção à liderança sem jamais chegar lá. 

O enunciado da publicidade diz o seguinte: "A Hyundai já é a 7ª maior montadora do Brasil, ultrapassando até a Toyota" (grifo nosso).

Por que a rival japonesa foi citada? Ou melhor, por que apenas ela? Com o atual 7º lugar no ranking, a Hyundai deixou para trás também a Peugeot, que, no acumulado de vendas de 2009, ficou à frente dela, em 8º lugar (a Hyundai foi a 9ª colocada). Enfim: o megarrecall que machucou a montadora japonesa -- talvez a companhia automotiva que mais preza a confiabilidade como trunfo de vendas -- não atingiu seus carros vendidos no Brasil. Mas a nossa Hyundai não perdeu a chance de soprar as brasas dessa fogueira.

A durona
Em tempo: reportagem de capa da revista Fortune de janeiro sobre a Hyundai, ainda encontrável em bancas especializadas por cerca de R$ 30, traz o enunciado "The toughest car company of them all", o que significa algo como "A montadora mais durona de todas". O subtítulo: "A Hyundai é para valer. A competição a odeia. Os consumidores a amam". Uma caricatura do sedã de alto luxo Equus com presas afiadas em vez de grade frontal ilustra a manchete. A íntegra, em inglês, está aqui -- repare que a Toyota é sempre descrita como um dos grandes alvos da Hyundai.

O texto da Fortune não deixa de lembrar que o atual presidente da montadora coreana, Mong-Koo Chung, foi condenado num escândalo de desvio de dinheiro da própria Hyundai para uma "caixinha" política (no original: "embezzling some US$ 100 million from Hyundai and its subsidiaries for a political slush fund"). Um acordo jurídico o livrou de três anos na cadeia, mas ele teve de prestar serviços comunitários, entre eles, cuidar de crianças numa creche. É o que mostra o vídeo abaixo, da BandNews, de junho de 2008:



Atualização: nesta segunda-feira uma corte da Coreia do Sul determinou que o presidente Mong-Koo Chung restitua cerca de US$ 60 milhões à Hyundai, como compensação por "decisões erradas" nos negócios da empresa. A informação foi veiculada pela agência France Presse. A decisão da Justiça --que guarda relação com a sentença mencionada acima -- atendeu a ações movidas contra Chung e um vice-presidente da Hyundai por 14 sócios minoritários da companhia, além de uma ONG sulcoreana.

Escrito por Claudio de Souza às 14h37


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