Ghosn, CEO da Renault-Nissan, disparou críticas em evento no Brasil

A briga com Fiat, GM e Volkswagen deveria ser direta e o desempenho semelhante ao registrado no resto do mundo, com participação na casa dos 20%, afirmou. Reconheceu, no entanto, que faltam produtos (carros) para isso. Mas prometeu mudanças e até falou da chegada do SUV Duster antes da hora.

Puxão nº 2: ao comentar o cenário atual, com a crise mundial ultrapassada e a volta da cobrança integral do IPI, Ghosn fez um paralelo entre a indústria e pacientes médicos. Afirmou que todas as empresas sofreram do que chamou de "falta de oxigenação" (restrição de crédito e falta de liquidez), mas apenas quem já tinha mau desempenho morreu durante a crise. E disse que, após uma queda esperada, o brasileiro voltará a procurar carros com receita definida: "Produtos do segmento popular, mas com qualidade comprovável, equipamento adequado e preço acessível". Ao que parece, no entanto, poucas montadoras concordam com esta máxima.

Puxão nº 3: ao falar sobre a relação carro elétrico e Brasil, Ghosn afirmou que fabricar um modelo com matriz elétrica é fácil e barato e que, apesar da escala atual (produção e procura reduzidas) forçar preços elevados, o país está perdendo o passo da história: "O Brasil pode até não aceitar e não acreditar no carro elétrico no começo [do desenvolvimento], mas haverá pressão e terá de aceitar quando os elétricos estiverem rodando nos Estados Unidos, Japão e Europa", afirmou.

A solução, segundo Ghosn, seria haver uma definição de incentivos por parte do governo (como já ocorre no Japão e nos EUA, com o Nissan Leaf, e na Europa, com modelos da Renault): "Incentivo não precisa ser um bônus em dinheiro no momento da compra, pode ser a diminuição de impostos", explicou, para ir além: "A carga tributária no Brasil é muito alta, seja o governo de direita ou de esquerda".

Ghosn, que fechou acordo com a Prefeitura de SP para uso de elétricos, estendeu o puxão de orelha aos interessados em manobras eleitoreiras nas eleições de outubro: "É fácil defender o uso de carro elétrico e muitos farão isso com a chegada das eleições, mas não precisamos que comprem alguns carros, precisamos de incentivos reais e de fonte oficial".