• Algumas idiossincrasias do C3, que um dia tiveram seu charme, começam a irritar; o painel digital, que a cada dia eu acho mais horrendo e antifuncional, é uma delas;
  • O carro tem falhas indignas de um modelo que se diz premium: as portas continuam abrindo sem estágios (cuidado com a coluna da garagem!), a buzina precisa ser espancada (num lugar específico) para funcionar, o rádio usa ícones pretensiosos (o de AM/FM, que em todos os rádios do mundo vem como BAND ou simplesmente AM/FM, precisa de pós-doutorado em física para ser decifrado), o cinzeiro móvel em formato de copo é tosco etc.
  • O C3 com motor 1.6 e câmbio automático é um beberrão: rodando com etanol, apenas em trânsito urbano, secou um litro a cada 5 km, e com gasolina, nas mesmas condições, sorveu um litro a cada 6,2 km.
  • O diâmetro de giro é excessivo, o que dificulta as manobras em espaços mais apertados (de resto, esse é um problema geral dos Citroën).

    Mas...

    MAS...

    Há muita coisa bacana no C3, especialmente com esse trem de força. A saber:
  • O câmbio automático é automático de verdade. É muito bem escalonado e tem funcionamento suave -- algo que não se encontra nos compactos dotados de caixas automatizadas, que dão soquinhos;
  • O motor 1.6 entrega potência e torque suficientes para uma condução calma ou nervosa em cidade ou estrada; não é o C3 que diz a você como deve guiá-lo, e sim você que escolhe sua performance;
  •  Os ajustes do banco do motorista e da coluna de direção, somados ao espaço interno verticalmente amplo, permitem uma posição de dirigir capaz de agradar a quem tenha qualquer altura entre 1,40 metro e 2 metros (ok, é modo de dizer, mas é mais ou menos isso). E quem tem uma altura intermediária, como eu, pode escolher dirigir mais "deitado" ou no nível do sujeito que, na pista ao lado, vai a bordo de um SUV pequeno-médio;
  • A direção, com assistência elétrica, é possivelmente a melhor do segmento; 
  • Depois de sete anos de Brasil, a suspensão e a carroceria do C3 já são bastante adequadas às condições reais de nossas vias. Há um bom equilíbrio entre maciez e firmeza, os amortecedores dispõem de curso suficiente, e os pneus maiores da linha 2011 ajudam a compor um conjunto que privilegia o conforto, mas não assassina a estabilidade. Fora isso, tem razoável distância mínima do solo -- não raspa embaixo à toa, como é o caso do C4 Pallas;
  • Dizem que o C3 é carro de mulher e de homoafetivos, mas o que ele é -- mesmo -- é muuuuito bonito. E o teto solar lhe deu ainda mais charme.

    Enfim, o que eu queria mesmo dizer é que essa semana de degustação me convenceu de que o C3 com motor 1.6 e câmbio automático, com ou sem os mimos dos novos "packs", é o melhor produto da Citroën no Brasil, disparadamente. Se carros soubessem ler, imagine o que pensaria disso um C4 Pallas, hein?