UOL Carros
 

01/06/2010

Dirigimos

Lula sentou, UOL Carros guiou

Vai até esta quinta-feira (3), no Rio de Janeiro, o Michelin Challenge Bibendum, evento internacional -- fechado para o público, no entanto -- que propõe a união geral "por uma mobilidade rodoviária sustentável". Isso significa, resumindo-se o tema à essência, encontrar meios para energizar e impulsionar veículos de transporte que não sejam tão problemáticos quanto os combustíveis fósseis (supõe-se que a utilização de pneus de borracha não esteja em questão). De modo subjacente, aflora também a preocupação com o uso racional do -- cada vez mais raro e disputado -- espaço urbano. Participam ao todo 76 empresas, organizações (oficiais ou ONGs) e entidades diversas, 15 delas montadoras de veículos, e dez, instituições de ensino e pesquisa.

Não se trata, nem de longe, de um salão do automóvel, mas alguns carros e protótipos deram as caras no Bibendum, entre bicombustíveis (gasolina/etanol, uma novidade para os muitos visitantes estrangeiros), híbridos e elétricos.

A atração principal, claro, foi a estreia do Audi e-tron em território brasileiro. O protótipo da marca alemã é movido a eletricidade e conta com um motor acoplado a cada uma das rodas. Seu muito comentado (e absolutamente insano) torque de 460 kgfm está disponível assim que o acelerador é pressionado -- como em todo propulsor elétrico, não há faixa de giros nem marchas para administrá-las. É ligar e disparar.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador fluminense, Sérgio Cabral, foram à abertura do Bibendum na segunda-feira (31/5) e, ciceroneados pelo presidente da Audi Brasil, Paulo Kakinoff, conferiram o e-tron de perto, por fora e por dentro. Deve ter sido divertido, como se vê na foto abaixo:


Lula (dir.) e Cabral se mostram felizes dentro do Audi e-tron

O que o presidente e o governador não fizeram foi pilotar o e-tron. Ao contrário de UOL Carros!

Quer dizer, mais ou menos: o máximo permitido aos jornalistas foi conduzir o e-tron por cerca de 200 metros, num pavilhão fechado do Riocentro (o palco do Bibendum), e ainda com um representante da matriz da Audi no banco do passageiro.

A brevíssima experiência serviu para antecipar um futuro em que superesportivos incrementados e reluzentes circularão pelas ruas sem que ninguém entorte o pescoço para olhá-los -- afinal, carro elétrico quase não faz barulho (produz apenas uma espécie de silvo, bem discreto). Manobramos o e-tron um pouquinho, curtindo o fato de que toda a visualização para trás é feita por meio de câmeras, uma na traseira do carro e duas substituindo os retrovisores. Você não olha para espelhos, mas para telinhas. Vai pegar? Se não houver embargo legal achamos que sim, mas talvez o e-tron de produção, prometido para 2012 (e que deverá ter outro nome), venha mais convencional.

Quanto ao design, se a Audi resolver levar o sistema de iluminação ao paroxismo da brancura, aproveitando que a grade frontal é meramente decorativa (lembre-se de que sob o capô dianteiro não há o que refrigerar: a bateria fica atrás do habitáculo, e os motores, nas rodas), o que se verá à noite poderá ser parecido com a imagem abaixo, feita no escuro Riocentro pós-18h:


Funcionário da Audi dá um trato no e-tron ao cair da noite

O e-tron também prova que a saída de um carro elétrico dotado de motor forte é realmente notável. Basta pressionar o pedal que a resposta é praticamente imediata: ele dispara como se não houvesse limites.

Mas eles existem: 200 km/h é a velocidade máxima, determinada eletronicamente, e o zero a 100 km/h (diz a Audi) gasta 4,8 segundos, um tempo que nos pareceu um tanto elevado para um veículo que dispõe de torque generosíssimo, apenas dois lugares e carroceria de materais leves -- feito com alumínio e fibra de carbono, o e-tron tem um peso total de 1.600 kg.
E, sim, além de separar pelo menos R$ 700 mil (valor mínimo que prevemos para o e-tron de produção por aqui), é bom você reservar mais um pouco de dinheiro para reformar o sistema elétrico da sua casa. Numa tomada comum de 220 volts, o e-tron é recarregado em seis a oito horas; o tempo diminui se a fonte entregar mais energia. E isso depois de rodar cerca de 240 quilômetros, autonomia máxima prevista para quem conseguir dosar o impulso de chispar pelas estradas como um raio.

UOL Carros viajou ao Rio a convite da organização do Challenge Bibendum (o nome vem daquele boneco gordinho que simboliza a Michelin). Outro texto sobre o evento e o Audi e-tron, do parceiro iCarros, pode ser lido aqui. E na janela abaixo você assiste à cobertura em vídeo do Carsale:


Escrito por Claudio de Souza às 17h31


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