Gol, Voyage, Saveiro, Fox (CrossFox), SpaceFox, Polo, New Beetle, Bora, Eos, Jetta (e Variant), Tiguan, Touareg, Amarok, Passat (e Variant)... pode listar e verificar. Nenhum dos outros modelos vendidos pela Volkswagen no Brasil é tão interessante quanto o cupê Passat CC. Sob todos os aspectos.

Experimente falar para o amigo ou para a namorada que você está de Passat e vai ver um sorriso amarelo estampar o rosto a sua frente, típico de quem está pronto a te chamar de "tiozão", mas não tem coragem. Sem problema: qualquer feição se transforma ao perceber que o Passat em questão não é o sedã grande ou sua perua, e sim o Comfort Coupé, que também tem quatro portas, mas é menos executivo e muito (muito) mais esportivo.

Fotos: Murilo Góes/UOL


No desempenho, não dá para confundir o CC com outro modelo
CLIQUE NA IMAGEM para ver mais imagens exclusivas


A diferença é tanta, que sendo produzido sobre a mesma plataforma dos outros Passat de sétima geração (e também do conversível Eos), o CC acaba tratado apenas pela sigla em diversos mercados, para não ter confusão. Afinal, ser um autêntico entortador de pescoços não é tarefa para qualquer um. Mas o que faz do CC um carro tão divertido?

Talvez o estilo tão aerodinâmico quanto uma bala: a frente é afilada, larga e baixa (fique atento a lombadas, valetas e entradas de garagem em geral); o V onde está instalada a grade frontal e o logo da fabricante se pronuncia; as caixas de roda são ressaltadas; a linha encorpada do ombro conduz seus olhos ascendentemente até a lanterna, que invade a lateral e determina, rapidamente, o fim da carroceria, espichado, mas sem formar um terceiro volume. O teto é tão baixo que quase continua a linha entre o para-brisa e a traseira... Enfim, são formas que causam surpresa mesmo quando preenchidas de cores sóbrias, como preto e prata.

Talvez o terreno em que compete: estamos falando de um modelo produzido pela Volks para encarar a concorrência premium alemã. O alvo, ainda em 2008, era o Mercedes-Benz CLS, pioneiro no "só cabem quatro pessoas, todas devidamente engravatadas"; hoje, temos também Audi A5 Sportback e teremos o A7, ambos desenvolvidos no "quintal", já que a marca das quatro argolas pertence ao grupo VW. Há ainda a previsão do BMW Gran Coupé. E até a presença de competidores de nível (leia preço) mais elevado, como o Porsche Panamera e Aston Martin Rapide (sendo este um inglês), mas aí a história é outra.

Talvez o ambiente interno, onde o plástico emborrachado escuro contrasta com o aço escovado e serve de pano de fundo para as dezenas de botões de controle e sua iluminação amarelo-avermelhada. O volante multifuncional com comandos para troca de marcha do CC é tão bem resolvido que inspirou os equipamentos utilizados amplamente pela marca (hoje, estão até no Gol I-Motion, veja só). Mas só dentro do CC tudo reluz quando banhado pela luz do sol que surge através do enorme teto panorâmico elétrico chamado de Skyview (um dos poucos opcionais, ao lado do ar digital Climatronic de duas zonas, do piloto automático adaptativo e da persiana elétrica para o vidro traseiro).


FICHA TÉCNICA DO PASSAT CC

LISTA DE EQUIPAMENTOS

Mas, para UOL Carros, o que define o alto grau de diversão do CC é o quanto ele pode acelerar sem perder a trajetória. Há alguns meses, pudemos testar o modelo por algumas voltas em Interlagos (aliás, o autódromo nomeia as rodas aro 18). Agora, percorremos rodovias do Estado de São Paulo e alguns lugares com pouco movimento na região metropolitana. Nas duas ocasiões a sensação foi a mesma: bastou pisar firme no pedal direito para levar o conjunto aos 250 km/h (controlados eletronicamente) na pista, ou cortornar curvas "civis" no limite permitido pela lei. Quase sem tempo para respirar, sem fazer escândalo, sem consumir muito (8 km/l na cidade, 10,5 km/l na estrada), nem desgarrar uma única vez. Culpa do motor V6 de 3,6 litros com injeção direta gasolina (FSI), 300 cv (a 6.600 rpm) e torque de 35,6 kgfm (de baixas 2.400 a 5.300 rpm); da transmissão de dupla embreagem (DSG) com seis marchas; dos freios com ABS, EBD e controle de estabilidade (ESP); e da tração integral permanente 4Motion, com controle eletrônico de deslizamento (ASR) e do bloqueio de diferencial (EDS).

Tudo tão perfeito, que nem lembramos da existência de airbags por toda a carroceria (frontais, laterais e de cortina). Nem do preço, em torno dos R$ 175 mil. Sabe como é, diversão da boa (ainda) custa caro. Gostou também? Não gostou? Opine!