A CR Zongshen do Brasil é fruto dos investimentos de US$ 80 milhões da matriz chinesa e será capitaneada no país pelo engenheiro Claudio Rosa Junior, 44 anos, ex-diretor industrial da Sundown, marca de motos e de bicicletas da qual sua família ainda detém 17% do capital. Com projeto aprovado para produzir na Zona Franca de Manaus, a nova empresa fabricará motores de popa, geradores de energia e, o que nos interessa aqui, "90 mil motos por ano por turno" na capital amazonense, de acordo com o engenheiro e executivo.
Foto: Gustavo Epifanio/Infomoto

Acima, o brasileiro Rosa Junior, diretor-geral da nova marca chinesa
Mais quais modelos a marca chinesa fará no país e de quais categorias? E o que esperar da confiabilidade? Para saber mais, confira a entrevista feita com Rosa Junior pelo jornalista Arthur Caldeira, da Infomoto:
Infomoto - Porque a CR Zongshen decide se instalar no mercado brasileiro justamente em um momento de queda nas vendas?
Rosa Junior – Na verdade, a crise não preocupa a Zongshen, pois o proprietário da empresa Zuo Zongshen tem como objetivo se tornar um dos maiores fabricantes de motos do planeta. A instalação da empresa no Brasil faz parte de uma estratégia a médio e longo prazo. Não importa se o mercado está bem ou mal no momento, daqui a 20 anos estaremos fazendo motos. Na China, a empresa faz 2 milhões de motos, 4 milhões de motores por ano. Os países onde a empresa atua vão passar por altos e baixos. Seria um problema se as pessoas parassem de andar de moto e isso dificilmente deve acontecer.
Foto: Renato Durães/Infomoto

A custom Kansas 150, da Dafra, é um modelo original da Zongshen
Infomoto - Alguma outra montadora no Brasil já comercializou produtos fabricados pela Zongshen na China?
Rosa Junior – Sim. A Kansas 150 da Dafra é produzida pela Zongshen. No caso da Sundown, a Hunter 100 e a VBlade 250 também.
Infomoto - Então, seu relacionamento comercial com a Zongshen vem dos tempos de Sundown?
Rosa Junior – Visitei a fábrica pela primeira vez em 1999. Já visitei mais de 40 fabricantes de motos na China, Índia, Coreia e Japão. Felizmente tenho grande conhecimento do mercado chinês, inclusive de empresas que têm negócios no mercado brasileiro, como Lifan, Loncin, entre outras. Cada um tem uma particularidade, uns foram para a área de automóveis, mas a Zongshen manteve o foco em motos e fez importantes investimentos nessa área. Um deles foi a fábrica montada em parceria com a italiana Piaggio, na cidade chinesa de Foshan. E também foi feito um acordo de transferência de tecnologia, ou seja, não é apenas sociedade. A Zongshen está também absorvendo parte da tecnologia italiana na fabricação de motos. A tendência é, com o passar dos anos, as empresas chinesas investirem em qualidade. Há motores e até modelos inteiros fabricados na China e vendidos na Europa.
Foto: Caio Mattos/Infomoto

Sundown VBlade 250 é outro modelo original da Zongshen; marca
promete, porém, vender novos modelos com tecnologia italiana no Brasil
Infomoto - E em que fase está a instalação da CR Zongshen?
Rosa Junior – Estamos na fase de homologação dos produtos. Alguns modelos já estão homologados, outros ainda estão em andamento. Todos os nossos sete modelos vão atender ao Promot 3 (programa nacional de restrição à emissão de poluentes). As motos serão apresentadas em outubro no Salão Duas Rodas. Quanto ao maquinário para a produção, serão embarcados para o Brasil no final de julho para que, em novembro, possamos começar a produzir.
Infomoto - E quais são essas motocicletas?
Rosa Junior – São de todos os segmentos: scooter, CUB, street, custom, off-road. Só não virá nesta primeira fase a 250cc. Mas não são as mesmas motos que estão no site da Zongshen. São outros modelos, fruto do intercâmbio entre a empresa e a Piaggio. Não têm nada a ver com o desenho chinês.
Infomoto - O motociclista brasileiro tem boas e más experiências com as motos de origem chinesa. O que o consumidor pode esperar das motos da CR Zongshen?
Rosa Junior – O que acontece em termos de desenvolvimento de produto, seja com a Sundown ou com a Dafra, é que essas outras marcas têm uma relação de compra e venda com os fabricantes chineses. Negociação de preço, essas coisas. Enquanto uma empresa quer pagar tanto, o fabricante pensa que por aquele preço não dá o tratamento térmico que precisa ser feito. Onde seria necessário fazer uma cromeação melhor, não faz, acaba trabalhando com fornecedores mais baratos... E isso compromete a qualidade. Mas isso acontece em qualquer lugar do mundo, até aqui no Brasil, não só na China. Mas a partir do momento que sou sócio do fabricante, a coisa muda de figura. Temos que ganhar dinheiro na China e no Brasil, não tem jeito. A sinergia é maior. A CR Motors tem muito a contribuir com a experiência que temos do mercado brasileiro e a Zongshen, no desenvolvimento e fabricação de produtos.
E você, o que acha da chegada da fabricante? Qual a sua experiência com modelos chineses? Comente e conte-nos suas impressões!